<i>Unicer</i> quer abandonar Santarém
Os 170 trabalhadores da Unicer, em Santarém, foram surpreendidos, dia 12, com o anúncio, através da comunicação social, de que a administração pretende encerrar a fábrica de cerveja na cidade escalabitana, em Março de 2013, e deslocalizar a produção para a unidade fabril em Leça do Balio, concelho de Matosinhos.
A administração quer despedir 113 trabalhadores e proporcionar apenas a 60 a possibilidade de irem trabalhar para Leça, eventualidade que é repudiada por todos os trabalhadores, explicou ao Avante! Fernando Rodrigues, dirigente do Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura e das Indústrias de Alimentação, Bebidas e Tabacos de Portugal, Sintab/CGTP-IN.
O Sintab apelou à CT e restantes ORT e aos trabalhadores para cumprirem uma hora de greve com plenário, no dia 19, que foi integralmente cumprida.
Nessa reunião, convocada pela Comissão de Trabalhadores, com a presença da administração e dos sindicatos, «a administração disse ter trabalho para todos, mas não disse onde nem quais as funções que desempenharão», salientou o representante sindical, sublinhando que aquele foi o maior plenário de sempre.
A administração afirmou que a deslocalização é irreversível e que a decisão foi tomada em Outubro. Como no plenário realizado em Novembro nada foi dito sobre o assunto, o sindicato considera «inqualificável que tenham tomado a decisão nas costas dos trabalhadores».
Não faz sentido
Para o Sintab, «a deslocalização não faz sentido», disse Fernando Rodrigues. Em Santarém, a cerveja é feita com água de nascente, de grande qualidade e gratuita, enquanto em Leça do Balio ela é processada com água da companhia e é paga», revelou. Foi devido à alta qualidade da água que a sócia da Unicer, a dinamarquesa Carlsberg, «proibiu que a sua cerveja seja feita em Leça e recomendou Santarém. Há três anos seguidos que aquela cerveja ganha prémios por ter a água de melhor qualidade», esclareceu o dirigente do Sintab.
Anteontem, o sindicato teve audiências com o Grupo Parlamentar do PCP, de manhã, e com o presidente da Câmara de Santarém, Moita Flores, à tarde.
Brevemente será marcado outro plenário para os trabalhadores decidirem novas acções, garantiram os representantes do Sintab.